quarta-feira, 8 de julho de 2009

Pretoguês

Comprei mais uma máquina fotográfica digital pela net. É sempre no mesmo site, que é alemão, e sempre funcionou fantasticamente. Este site está traduzido, ou tem uma página em português, e por isso, e uma vez que vou de férias muito proximamente, enviei-lhes um mail a perguntar se eles tinham uma previsão para a entrega da dita máquina. Mandei em português e em inglês. Eis a resposta que recebi em português:

Oi Duarte :-)!!!
Agradecimentos muito do seu e-mail! (O Tibúrcio não diria melhor)
Dê as boas-vindas novamente a DigitalXXXXXXXX :-) ( oXXX foi para ocultar o nome do site… e eu é que tenho que repetir as boas vindas )
Por favor esteja tão bonito (adoro esta parte em que me pede por favor para estar bonito) e aceite o meu appologizes do atraso da sua ordem. (appologize aceite)
É muito bonito ter notícias de você, ( lindo, vieram-me as lágrimas aos olhos )
Somos os meados no negócio sumer. (negócio sem meados, não é negócio sumer)
Estamos 100 % seguros que será capaz de manter a próxima semana (vou tentar manter) a sua nova câmera nas suas mãos :-)
Esperarei que seja muito okey para você :-) (está muito okey para mim)
Obrigado pela sua paciência até do que :-) (se passasse um pouquinho do “até do que” teria perdido a paciência)
Esperamos que isto seja útil para você. (é útil para escrever no blogg)
Se você tiver mais longe perguntas por favor vai (ok, irei para longe…fazer perguntas), o nosso porta está sempre aberta para você (ainda bem, para eu poder sair).
Todos nós desejamos você e a sua família ( isto de desejarem a minha família é que está mal) um tempo muito bonito :-) (também eu, até porque vou de férias)
As melhores considerações
(fiquei comovido)

terça-feira, 30 de junho de 2009

A "Aliança" parte 2

Um ano e uns meses depois, a Aliança (Nádia, Su e Nuno) voltou a reunir-se com o Jorge Shinobi pelos mesmos motivos de outrora: a entrega de um prémio. Voltámos a receber o 1º prémio, mas agora do 2º Concurso do My Asian Movies . Voltou a ganhar a Aliança e voltámos a encontrar-nos no sítio do costume: o Café do Museo. É impressionante como passado um ano, o único que tinha envelhecido era eu, ou seja, a transmissão de pensamento só afecta o receptor. Desta vez fui eu o primeiro a chegar, e por isso, tive o privilégio de ver a aproximação da colorida e bela Nádia e depois da louraça e linda Su. Com a desculpa dos altares de S. João, o Jorge foi o último a chegar, mas trazia o prémio…e o diploma. Notou-se o que pode fazer o passar do tempo, ainda que não se notasse fisicamente, a Nádia já não aguenta metade do Compal que aguentava, afinal já tem 30 anos, e a Su depois do jantar foi para casa descansar. Até eu dispensei o Jam. Quem continua em grande forma é o Jorge


O Jantar decorreu no Restaurante Paraíso Imperial, que estão preparados para celebrações especiais, como Crismas, Divórcios e entregas de prémios, e têm o Canal Benfica “para que o bom desportista disfrute do prazer de uma boa comida com o respectivo acompanhamento desportivo”. Posso dizer que comemos bem. Eu matei saudades do bife de atum, mas, uma vez mais, deu para entender que a Nádia já não aguenta a bebida como aguentava. Ficou-se por um Compal…nem ao segundo chegou. No final do jantar, o simpático dono ofereceu-nos um “digestivo” caseiro com um teor alcoólico de uns 130º, ( tive que ter cuidado ao acender o cigarro com medo que os “vapores” explodissem ).



Depois do jantar veio a entrega do prémio, que eu recebi em nome da Aliança, e veio também o desafio do Jorge para que eu defendesse este título no próximo concurso a ser lançado em 2009. Digo sempre que não. A Su continua com a alegria contagiante do costume, mas infelizmente não pôde acompanhar-nos depois do jantar. Os três resistentes ainda foram tomar um copo ao “Chega de Saudade” mas a Nádia, uma vez mais, levou a bebida de casa, ou seja uma garrafa de água. Acabámos, eu e o Jorge no Café do Teatro a tomar o meu último copo da noite, enquanto a viagem de férias do amigo Shinobi era preparada ao mais ínfimo pormenor com os companheiros de aventura.

É sempre um prazer estar com estes 3 amigos, e às vezes penso que concorro, e tento ganhar, os concursos do My Asian Movies, só pelo prazer de poder estar com eles.

Que venha o 3º Concurso …

Beijos e Abraço

Nuno




sexta-feira, 10 de abril de 2009

Eusébio e Arnaldo

Relembro que tenho cinco irmãos, 2 rapazes e 3 raparigas, se juntarmos os meus pais, éramos 8 pessoas lá em casa e a máquina de lavar não dava vazão à roupa de 6 crianças/adolescentes que, naquela altura, na década de 70, brincávamos na rua. Para resolver este problema, lembro-me que minha mãe recorria aos serviços de uma lavadeira, a Luísa, que morava em Santa Maria, na zona velha, bem perto do saudoso campo de futebol do Marítimo, o Campo Almirante Reis. No verão havia sempre um ou mais torneios de futebol para miúdos a rondar os 12 a 14 anos com equipas de bairros, equipas menos “famosas” que os habituais Marítimo, Nacional e União. Lembro-me do Alma Lusa e do Pátria, por exemplo. Eu oferecia-me sempre para ir com meu pai entregar, ou levantar, a roupa a casa da Luísa já que aproveitávamos e víamos um pouco dos jogos dos miúdos. Acontece que a Luísa era louca por futebol e tinha um filho chamado Eusébio que jogava numa dessas equipas que participava nesses torneios. Era um espectáculo assistirmos, eu e o meu pai, junto da Luísa, a um jogo em que jogasse o dito Eusébio. Era ouvi-la gritar quando o filho tinha a bola nos pés:
-Corre seu filho da puta; passa a bola seu filho da puta…
Depois, voltava-se para meu pai e dizia:
-Desculpe Sr. Joel, mas tenho que gritar com este filho da puta que saiu molengão como o cabrão do pai.
Era um fartote de rir…
Mas a diversão não ficava por ali. Havia em todos os jogos um homem (que não me lembro do nome) que estava sempre bêbado e que fazia o relato do jogo, tal qual estivesse a trabalhar para a Antena 1. O relato era sempre o mesmo:
- Arnaldo tem a bola, passa mais para o centro do terreno para Arnaldo, este, recebe com o peito, e de primeira, vira para a esquerda onde está Arnaldo desmarcado que corre pela linha lateral, finta o adversário e centra para a área, para a cabeça de Arnaldo que amortece para Arnaldo rematar com o pé esquerdo e….é GOOOOOLOOOOOOO de Arnaldo.
Que jeito me dava agora um Arnaldo destes no Sporting…

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

"A Whiter Shade of Pale"

Vinha eu para casa um dia destes e começo a ouvir no rádio do carro a música "A Whiter Shade of Pale" dos Procol Harum. Recuei no tempo uns bons 35 anos e recordei com agrado os meus tempos de liceu, mas principalmente os bailes de garagem, muito em voga depois do 25 de Abril. Havia um “disc jockey” improvisado ( tira single, coloca single… de 45 rotações e de vinil), um tipo responsável pelas luzes…que as acendia se vinha algum dos donos da casa…e as apagava se começava a tocar o "A Whiter Shade of Pale”, por exemplo.

As raparigas daquela época começavam a libertar-se, mas algumas eram ainda eram muito pudicas, e mesmo as que estavam ali porque o namorado estava, ou para arranjar namorado, se ao dançarmos o slow, as apertássemos um pouquinho mais, elas ficavam nervosas e fugiam do “animal”, chegavam-se para o lado contrário não fosse o “bicho” morder-lhes. Eu, e alguns malucos como eu, tínhamos uma táctica para as apanhar. Arranjávamos um rolo interior do papel higiénico, dobrávamo-lo e metíamos no bolso das calças. Ficávamos uns autênticos John Holmes de trazer por casa. Quando começávamos a dançar, ela sentia aquele enchumaço e, como pudica que era, discretamente chegava-se para o lado contrário…onde estava o verdadeiro “animal”…o “bicho” à espera dela. Ganhávamos os dois, nós, os rapazes, tínhamos sentido o que queríamos sentir, e elas tinham fugido do que queriam e deviam fugir.

Ainda hoje penso se não haverá alguma mulher na Madeira que pensa que eu tenho dois animais. Algumas ficavam intrigadas…

Hoje o telemóvel podia substituir o rolo de papel higiénico…só que hoje não se dança o "A Whiter Shade of Pale", e se dançássemos seriam elas que procurariam o “animal”…o “bicho”. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…e ainda bem.

domingo, 14 de setembro de 2008

Mentira

Afinal foi mentira, dizem vcs, ainda não foi desta que ele desistiu. Pois menti, mas menti sem saber que estava mentindo. Há quem minta conscientemente...como a Rute. A Rute era uma antiga amiga do hi5 que, de vez em quando, também comunicávamos através do Messenger.
Passo a transcrever o último diálogo que mantivemos... parece surrealismo:

-Parece-me que a tua foto do perfil é um pouco antiga, não tens nenhuma mais recente? ...dizia eu.
-Por acaso tenho uma bem recente....vou mandá-la. E a Rute manda-me a sua foto recente...e eu recebo.
-Não quero conhecer tua mãe, quero conhecer-te a ti.
-Parvo, sou eu.
-ups....estava a brincar, até estás parecida com uma actriz de cinema.
-Uau, qual?
-Com a Zsa Zsa Gabor...
-Não conheço...
-Mas devias, devem ter nascido pela mesma altura... Bem, Rute o que eu queria dizer-te é que a tua foto do perfil parece a foto da primeira comunhão (gosto de exagerar nestes casos para dar mais ênfase à “coisa”).
-E é ...
-Hum... Como?
-Sim, foi tirada no dia da primeira comunhão do meu filho.
-Ah bom...e quantos anos tem o miúdo?
-Acabadinho de fazer 30
-Oh Rute, vai-te lixar...tens um filho com 30 anos e dizes no perfil do hi5 que tens 40 !!!!!!
-Oh pá, eu estou no hi5 desde o início, e nunca me lembrei de actualizar a idade.
-Rute, o hi5 existe há uns 4 ou 5 anos, e a idade é automaticamente actualizada.
-Como assim?
-No dia do teu aniversário o computador actualiza a tua idade, somando mais um ano
-Ah, então deve ser o meu computador que está avariado. Olha vou desligar para levá-lo a arranjar.
-Isso Rute, mas quando deixares o computador a arranjar, deixa também a tua cabeça, só para eles afinarem um pouquinho...


Depois, há aqueles que preferem que lhes mintam desde que isso os afaste da dura realidade. Dou como exemplo uma das mais sensacionais súplicas de amor... Quem viu o filme "Johnny Guitar" lembrar-se-á:

Johnny: How many men have you forgotten?
Vienna: As many women as you've remembered.
Johnny: Don't go away.
Vienna: I haven't moved.
Johnny: Tell me something nice.
Vienna: Sure. What do you want to hear?
Johnny: Lie to me. Tell me all these years you've waited ...
Vienna: All these years I've waited.
Johnny: Tell me you'd have died if I hadn't come back.
Vienna: I would have died if you hadn't come back.
Johnny: Tell me you still love me like I love you.
Vienna: I still love you like you love me.
Johnny: Thanks. Thanks a lot.


...e há os que têm um ego que necessita de massagens...


...e eu digo-vos: Lie to me.
e vcs dizem-me: We like to read you.
...e eu digo-vos: Thanks. Thanks a lot.

sábado, 6 de setembro de 2008

FINITO...



THE END...

FIM...

FINAL

FIN...

FINE...

末端

Tudo o que sobe ...desce

Tudo o que entra ...sai

Tudo o que começa...acaba

Cada vez tenho menos inspiração, menos tempo e menos leitores. Não faz sentido continuar.

Agradeço a todos os que me leram e comentaram os posts. Fiz amigos e, só por isso, valeu a pena ter criado o Nunices...

Continuarei a visitar as vossas "casas" e a deixar os meus comentários.

Como disse a "blueminerva", pode ser que algum dia renasça da cinzas...qual Fenix, completamente anónimo.

Beijos e Abraços
Nuno

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Roleta Russa

Ele há coisas que só lembram a um “tinhoso”. Lembrei-me desta história porque vi um filme em que havia uma cena com “roleta russa”. Eu também já “pratiquei” uma "espécie” de “roleta russa” ....sem pistolas nem balas. Com “Pilas”. É verdade, e não se trata do sexo oral sendo uma das mulheres canibal. Estávamos com uma congestão de liberdade, já que o 25 de Abril tinha sido apenas há uns meses e eu estava no antigo 6º ano do Liceu na “época” 1974/75. Era nesta época que se faziam RGA’s para saber se convocávamos RGA’s. O que importava era sentirmos que tínhamos liberdade e julgar que podíamos fazer com ela o que nos desse na real gana. Por isso fazíamos as tais roletas russas nos intervalos das aulas...e das RGA’s. Lembro-me que havia uma espécie de jardim no lado esquerdo de quem entrava no Liceu, e aí nos reuníamos, só os rapazes da turma, obviamente, para esta espécie de roleta russa. Em que consistia? Há um jogo popular que se chama “as moedinhas”, ou “milhada”, se for na Madeira, em que cada participante tem 3 moedas para jogar, todos escondem um Nº de moedas no punho visível (de 0 a 3) , e tenta adivinhar a soma exacta de moedas de todos os participantes dessa jogada. Quem adivinha, ganha e sai do jogo. Nós éramos uns 10 ou 12, tirávamos todos a pila para fora e começava a nossa “roleta russa”, que é como quem diz, começávamos o jogos da “moedinha” e quem ganhava, metia a pila para dentro, e saía do jogo...aliviado por ter menos probabilidades de ser apanhado em flagrante delito por um professor, contínuo, ou mesmo por uma rapariga mais pudica que lançasse o pânico nas hostes. Desgraçados dos últimos dois que ficavam em jogo... Naqueles momentos pensava: ainda bem que houve o 25 de Abril, isto sim é liberdade, estar de pila à mostra no pátio do Liceu. Ele há coisas que só lembram ao Diabo... ou a mim.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Isabel

Foi com mágoa, tristeza, e nostalgia que recebi a notícia que a Isabel tinha morrido. A Isabel era “criada” na casa de minha tia e foi a primeira experiencia sexual da minha vida. Eu estaria perto de completar 13 anos e a Isabel teria uns 33 ou 34 anos. A Isabel trabalhava toda a semana e ia à missa das 8h00 aos domingos, e folgava nos domingos de tarde até ás 19h00, tempo que aproveitava para namorar com um homem que trabalhava num talho no Mercado dos Lavradores. A Isabel tinha 70 anos quando morreu.
Tudo começou com um baralho de cartas pornográfico que um amigo me emprestou e que eu mostrei à Isabel. Acho que ficámos ambos com tesão (eu ficava sempre que via as cartas ) e, palavra puxa palavra, provocação responde a provocação, eu “espicacei” a Isabel dizendo que ela não era capaz de fazer o que as cartas demonstravam, e ela não quis perder aquela disputa e disse-me:
- Isso é o que se vai ver.
Que teria eu que fazer para confirmar aquela afirmação? Simples. Quando toda a gente estivesse a dormir eu “só” teria que aparecer no quarto da Isabel. Ela era a única pessoa que dormia no rés-do-chão, e eu, naquela primeira noite, fui para a cama com meias, para que, quando tivesse que descer a escada, não fizesse o mínimo ruído. Assim foi, nem preguei olho, quando eram umas 4h00 da manhã, lá desci as escadas e fui direito ao quarto da Isabel que me aguardava, ainda que fingisse que dormia. Lembro-me que não tomei iniciativa nenhuma, a Isabel encarregou-se de tudo, despiu-me, despiu-se (excepto as cuequinhas), agarrou onde tinha que agarrar, encaminhou a minha mão para onde tinha que encaminhar, e recordo que a sensação do meu primeiro orgasmo foi de tal ordem que julguei que me estava a dar uma coisa má e que iria morrer. O facto é que ainda hoje continuo com a opinião de que um dia, quando tiver que morrer, que seja com um orgasmo, e quando perguntarem a quem cá ficar, quais foram as minhas últimas palavras, digam a verdade. Ele disse: “Estou a vir-me”.
Eu era o primeiro a sair de casa, estudava no “Caroço” e entrava às 8h00 da manhã, por isso, todos os dias, durante 1 ano e meio, das 4h00 às 7h00, passava a minha vida na cama da Isabel, numa aprendizagem mútua, já que a Isabel, apesar dos 34 anos, tinha ido trabalhar para casa de minha tia muito nova e não creio que as tardes de folga aos domingos lhe dessem uma experiência sexual extraordinária. Assim, lá tentávamos inovar o mais que sabíamos e podíamos, já que a Isabel jamais permitiu que eu a penetrasse na vagina. Dizia que havia um risco muito grande de engravidar, mas eu queria lá saber, quando me subiam os espermatozóides á cabeça e começava a pensar com estes espermatozóides, pouco me importava se engravidava ou não, queria era vir-me. Felizmente a Isabel sempre teve esse bom senso, e nunca permitiu que tal acontecesse, mas nunca evitou que eu tivesse os orgasmos que queria, só que eram onde ela decidia. Se calhar casou virgem.
Como podem compreender, hoje presto uma singela mas sentida homenagem a essa mulher, que para além de ser uma pessoa fantástica... foi uma mulher com importância na minha vida. Foi a primeira mulher que me ouviu dizer: “Estou a vir-me”.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Férias

Chega-se a esta altura do ano e é inevitável que falemos de férias. Eu, enquanto vivi na Madeira, adorava os meus dias passados na piscina do Lido com os amigos e amigas do costume, levando umas sandes de casa que me serviam de almoço, para poupar algum dinheiro e poder voltar no dia seguinte. Como meu pai, que entrava cedo no trabalho, me levava todos os dias, com excepção dos fins de semana porque havia demasiada gente, eu era das primeiras pessoas a chegar e das últimas a partir, ou seja o Lido era a minha casa de férias. Lembro-me que a única vez que quebrei a rotina das minhas férias, até completar 17 anos, foi uma ida ao Porto Santo na companhia de 3 amigos, para a casa dos pais de 1 deles, e onde “casualmente” encontrámos 4 amigas “sem abrigo” às quais, benevolentemente, acolhemos durante aqueles 15 dias. Uns autênticos samaritanos. Foram, provavelmente os 15 dias mais loucos de toda a minha vida. Tudo isto para comunicar-vos que vou de férias no próximo domingo, e que passados mais de 30 anos, algumas coisas mudaram. Desta vez vou com outros amigos, minha mulher e meu filho, não vou para a Piscina do Lido, vou para Santorini, não comerei sandes, e estou seguro, não terei os 15 dias mais loucos da minha vida, mas posso sempre ter os mais românticos. Não custa nada compartir com os meus amigos o meu “retiro” de Santorini...

Trata-se de um pequeno hotel que só tem 4 suites....e uma será para mim. Aqui, dormirei eu... e a minha amiga Patrícia
... e teremos, só para nós, esta fantástica vista do "nosso" Jacuzzi privado...

Claro que levo um outro amigo, chama-se João, é meu filho e também usufruirá de tudo isto. Será um pouco o chamado amigo "Empata Fodas"...mas compensa noutras coisas. Dormirá aqui:

Já ninguém dispensa alguns comodismos, como TV, DVD, net WiFi...isso será aqui:


Passaram-se mais de 30 anos entre aquelas férias e as que me esperam em Santorini. Pelo meio ficaram dezenas de férias, em diferentes lugares, com diferentes amigos. Conheci meio mundo, fiquei nos melhores hotéis, visitei as melhores praias, comi nos melhores restaurantes, ...então porque raio continuo a ter saudades do Lido e do Porto Santo? Acho que não é por causa das sandes....

domingo, 29 de junho de 2008

Conceição

Uma das criaturas mais estranhas que conheci na minha vida foi a Conceição. A Conceição era empregada doméstica a tempo inteiro lá em casa (antigamente chamava-se “criada” ) e era natural de Câmara de Lobos. Teria vinte e tal anos e eu uns 12, e adorava minha irmã mais nova que tinha 4 anos. Até aqui tudo normal, só que tinha a particularidade de não mastigar “porque lhe metia nojo”, e por isso engolia a comida inteira. Para nós (eu e meus irmãos) era um divertimento vê-la comer quando a refeição incluía batata cosida. Parecia que estávamos no circo, mas confesso que havia vezes que me faltava o ar só de ver o tamanho da batata que ela metia na boca e engolia. O Pescoço da Conceição assemelhava-se àqueles pescoços de aves marinhas que engolem peixes inteiros. Os meus pais nunca acharam grande piada a esta questão, porque temiam que algum dia a Conceição pudesse engasgar-se, e começaram a obrigá-la a mastigar a comida . Era outro momento de diversão para nós.-Vá, mastiga Conceição. Dizia minha mãe.-Não consigo, tenho nojo. Choramingava a ConceiçãoNestes momentos fazíamos plateia para rirmo-nos com as caretas da Conceição a tentar mastigar a comida para perder “o nojo”. Mas conseguiu ao fim de alguns tempos.Um dia minha mãe fez um Pudim Francês, que leva 24 ovos, deixou-o no frigorífico, e fomos todos passear e almoçar fora. A Conceição ficou em casa a fazer as suas tarefas e obviamente tinha o seu almoço. Quando chegámos para o jantar e minha mãe foi buscar o dito pudim para a sobremesa... ele tinha desaparecido, ou seja a Conceição, que já mastigava, tinha despachado de uma só vez ...24 ovos ao almoço. Minha mãe ficou assustada durante 2 dias à espera que o fígado da Conceição rebentasse, mas não rebentou, afinal era de Câmara de Lobos, como ela fazia questão de nos lembrar.A Conceição, alguns anos mais tarde, saiu de nossa casa para casar. Meus pais foram os padrinhos de casamento, e lá foi ela viver para a sua tão amada Câmara de Lobos com o marido. Nunca deixou de nos visitar, principalmente pelo encanto que tinha por minha irmã mais nova, e numa dessas visitas chegou a nossa casa cheia de nódoas negras e escoriações. Questionada por minha mãe sobre a razão de tal aspecto, lá confessou que o marido tomava “um copito a mais” e de vez em quando lhe “chegava a roupa ao pêlo”. A indignação de minha mãe foi enorme, e disse à Conceição (que fazia o que minha mãe lhe dizia.... até a mastigar) “da próxima vez que teu marido chegue a casa bêbado e te queira bater, dá-lhe com o que tiveres na mão”.Não passou nem uma semana, e lá estava a Conceição em nossa casa...chorosa, pedindo ajuda a minha mãe.-Que se passou Conceição? Perguntou minha mãe.-Fiz o que a senhora disse, meu marido veio para bater-me e eu dei-lhe com o que tinha na mão-Fizeste bem, verás que não voltará a incomodar-te-É esse o meu problema senhora, chorava a Conceição-Explica-te mulher, não querias que ele deixasse de bater-te?-Sim, queria, mas não queria que ele morresse-Que aconteceu Conceição, estás a deixar-me nervosa-Quando ele vinha para bater-me o que eu tinha na mão era a panela de pressão, e dei-lhe com a panela na cabeça... está no hospital em coma há 3 dias. (Convém lembrar que as panelas de pressão daquela altura deviam pesar no mínimo uns 10 kg)Obviamente minha mãe ficou em pânico, porque se o homem morresse se sentiria moralmente responsável por aquele “assassinato”. Mas o homem não morreu, e não só não morreu como deixou de beber e de bater na Conceição tornando-se num marido exemplar. A alimentação esteve sempre muito ligada à vida desta Conceição, começou com o nojo de mastigar e acabou por salvar a pressão do casamento com uma panela... de pressão.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Dezembro

Uma das minhas grandes satisfações em criança (penso que de todas as crianças) era quando minha tia “armava” o presépio e a árvore de Natal. Ainda hoje adoro a quadra natalícia. Minha tia tinha um jeito especial para a decoração ( e não só...como sabem ) e eu adorava ajudá-la. Todos os anos tentávamos que o presépio ficasse diferente, apesar de serem sempre as mesmas figuras, e a capacidade criativa de minha tia vinha ao de cima, para além de querer que eu participasse da “construção”. Sentia-me verdadeiramente feliz por ajudar e por saber que o Natal estava perto.


Mas quando chegava aquela altura, havia uma coisa que, pelo menos por um dia, estragava a minha felicidade: a ida ao fotógrafo. Durante Dezembro, minha tia “aperaltava-me” a seu gosto para que fossemos ao Amândio Fotógrafo tirar uns retratos “artísticos”... e vocês já “conhecem” minha tia. Felizmente, o Amândio Fotógrafo era um fantástico fotógrafo e não se nota na foto, mas estou de boina (como a boina era escura, o fundo escuro disfarça um pouco). Pois é, tive que sair de casa com boina, entrar no fotógrafo com boina e ser fotografado...com boina. Como devem calcular, fiquei com um ódio a tudo o que era para colocar na cabeça, de tal forma que só consigo usar os bonés da praia.

sábado, 10 de maio de 2008

Frade

No que diz respeito às humilhações que sofri na minha vida, minha tia esteve quase sempre ligada a elas. É óbvio que nunca o fez por mal, antes pelo contrário, mas a vontade de ser diferente e de que eu fosse diferente, falava mais alto. Já vos contei a humilhação do índio, que afinal mais parecia uma “indiazinha”, e hoje falarei sobre a minha primeira comunhão, ou seja, mais uma humilhação.

Estava eu na 1ª classe, tinha 6 anos e decorria o ano de 1965. Depois de uns seis meses de aulas de catecismo com a Dª Madalena, fiquei preparadíssimo para a minha primeira comunhão. Posso mesmo afirmar que era um dos mais bem preparados para receber Jesus. A nossa classe teria uns 30 alunos e todos iríamos receber o Santíssimo Sacramento. Convém não esquecer que éramos todos rapazes. Naquela altura a indumentária habitual para estes casos era umas calças brancas, uma camisa branca ( de preferência de seda) com um laço de setim numa das mangas. Era o habitual para todos os meus 29 companheiros de aula que, a partir daquele dia, nos “entregaríamos” a Deus. Para mim, minha tia tinha outros planos. Aquela indumentária era demasiado popular, muito “corriqueira”, o Nuno não podia ir como os outros, tinha que ir diferente. “Mas diferente, como?” perguntava eu ingenuamente. “Já sei, vais de Frade” responde minha tia. Até me ri, com aquilo que eu julgava ser a piada do século . Só me faltou chorar, quando percebi que afinal não era piada. E assim fui eu, naquele dia daquela Semana Santa a caminho da Igreja de S. Pedro ...vestido de frade (as sadálias eram, por si só, uma afronta), para fazer a minha primeira comunhão com o padre Rafael. Ainda me lembro da cara que fizeram os outros 29 companheiros quando me viram chegar naquela “figura”. Na sua ignorância, uns perguntavam-me se eu ia mudar para o seminário, outros se era eu que ia dar a 1ª comunhão... eu limitava-me a dizer que não a tudo, a olhar para minha tia e a pensar que o tal Jesus estava a entrar com o pé esquerdo na minha vida. Tive que suportar as bocas de “Eh pá, o Carnaval já passou, agora estamos na Páscoa” e “ficas bem de saia comprida”...enfim, uma humilhação perante os meus 29 companheiros e familiares.

Depois daquele pesadelo, pensava eu que de humilhações já estava livre. Como estava enganado. Não bastava ser humilhado perante aquelas 100 pessoas naquele dia na Igreja de S. Pedro. Não. Minha tia tinha outros planos para mim. Que tal uma humilhação perante umas 50 mil pessoas? Se bem pensou, mais rápido o fez. Vinha aí a procissão do Corpo de Deus, a mais famosa procissão do Funchal. Quem vai sair na Procissão? O Nuno, claro, vestido de frade. Saí da Sé, percorri meio Funchal apinhado de gente e voltei à Sé. Fui “admirado” por mais de 50 mil pessoas. Penso que a minha decisão de ficar a viver em Lisboa tem algo a ver com o facto de pensar que quando passeasse no Funchal, haveria sempre alguém que diria a outrém, baixinho “aquele foi o miudo que saiu há uns anos na procissão do corpo de Deus vestido de Frade... coitado“.

De uma coisa estou seguro, foi aquela humilhação que decidiu que a minha primeira comunhão fosse também a última.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Distinções

Este blogg foi distinguido pela Su do Marakokas com a “Campanha da Amizade”. Agradeço tamanha distinção vindo de quem vem. A Su sabe do que fala quando se trata de amizade. Um beijo tarado, do tamanho do Oceano que nos separa.

Foi também alvo de distinção com “Revolução Colorida” pelo amigo Eduardo – Baby_Boy_Swim, que como eu, vive a experiência da emigração ( se bem que esteja a acabar ) e que pode explicar a razão desta honrosa lembrança: A Solidariedade de emigrante...para emigrante. Não há dúvida que a distinção faz lembrar a nossa querida Ilha da Madeira por alturas da festa da flor. Para o Eduardo, um abraço de agradecimento

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Emigrante

Caros amigos e detestáveis inimigos,

Não tenho vida nem espírito para emigrante, e por isso, regressei a este rectângulo à beira mar plantado para continuar com aquela vida fantástica que se chama trabalho. Ainda estive durante uma semana a trabalhar o bronze, como vos tinha dito, mas aquilo depois começa a arder e torna-se insuportável. Senão vejam:


Depois foram as instalações que nos deram, não me habituei, ficava mareado. Podem comprovar:

Eu, como bom madeirense, gosto é de peixe espada preto e budião , e por aquelas bandas os peixes usam pijamas. Não acreditam? Vejam:

E o mar? Que dizer daquele mar que nada tem a ver com o nosso querido Oceano Atlântico? Um azul esquisito, que não se decide... numas zonas mais claro, logo mais escuro. Aquilo é para nos baralhar, ninguém me tira isso da cabeça, de tal modo que ainda hoje penso naquele raio daquela água. Onde já se viu água a 31º?Eu vi...

Ainda não lhes falei da areia. Tenho medo que me chamem mentiroso. Chamar areia a uma coisa branca que mais parece farinha. Só de loucos:


Outra coisa a que não me habituei, foi à hora do por do sol. O sol põe-se cedo, às 18h00 e um tipo tem que ir tomar umas cervejas ou uns Gins tónicos para fazer passar o tempo até ir jantar, porque depois de um dia de trabalho a "larica" aperta.

E como me pediu a blueminerva dei um abraço no tubarão ( e fiquei com o beijo para mim) mas vim embora antes que servisse de refeição ao dito cujo:


E, principalmente, voltei com as saudades das minhas amigas e amigos. Prometo que tão cedo não volto a emigrar. Só para a semana vou experimentar 3 dias em Amsterdam, mas depois acabou-se. Até final de Maio não emigro mais. Não tenho espírito... já perceberam.



Um Abraço ...de saudades

Inquérito BBS

Fui desafiado pelo amigo BBS a responder a este inquérito, e ainda não compreendi porque o vou fazer.


Família: Indispensável

Homem: Me myself and i

Mulher: A que se ama

Sorriso: De felicidade

Perfume: O que me oferecem

Carro: Confortável e suficientemente veloz (o meu, por exemplo)

Paixão: O meu filho

Amor:
que seja incondicional

Olhos: que não enganam

Sal: Prefiro “picante” para não ficar “insonso”

Chuva: Odeio

Livro:
Amor em Tempos de Cólera

Filmes: Cinema Paraíso

Músicas: As que nos fazem recordar...

Dinheiro: O suficiente para viver ...bem

Silêncio: Fundamental tantas vezes...outras ensurdecedor

Solidão: Necessária em alguns momentos

Flor: Antúrio

Sonhos: Ser capaz de sonhar

Cidade: Paris

País: Portugal

Não viver sem: Amigos

Nunca deixar de ser: Livre

Qualidades: Reconhecer que as tenho...

Defeitos: Pensar que tenho mais qualidades do que as que tenho na realidade

Gostos: Não se discutem

Não passarei: A vida a lamentar-me do que não fiz e podia ter feito

Detesto: Hipocrisia.... e o Purovic

Pessoa: Fernando

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Trabalho duro

Serve a presente para informar os meus amigos, inimigos e leitores que me ausentarei deste espaço até dia 27 de Abril. Não se trata de nenhum problema de saúde, mas de trabalho. Trabalho duro. Com efeito, neste período, vou trabalhar o bronze. Surgiu-me esta oportunidade de um contrato de uma semana nas Maldivas, e como as condições eram irrecusáveis...aceitei. Bem sei que é um trabalho duro, mas alguém tem que o fazer... Vou eu. Por este motivo, não poderei responder a comentários, nem escrever comentários nos bloggs dos meus queridos amigos e amigas, mas sei que vcs todos compreenderão que o sacrifício que vou fazer é por pura necessidade, e que quando, no outro lado do mundo, estiver a fazer o árduo exercício de levar a Piña Colada à boca, com os pés dentro daquela água a 30º, sentirei alguma inveja das belas vidas que ficaram cá no burgo. Se alguém tem que se sacrificar...que seja o mais velho. Eu.

Obrigado pela vossa compreensão e apoio.

Abraços e beijos...

terça-feira, 15 de abril de 2008

A Aliança

A Santa Aliança reuniu-se para comemorar aquilo a que podemos chamar uma “fantástica vitória” ...daquelas em que a união faz a força. O facto é que a telepatia não vinha nos regulamentos como sendo proibida e foi através dela que muitas batalhas foram ganhas. Houve algumas derrotas, mas nós fomos de derrota em derrota ...até à vitória final. Os Heróis: ”blueminerva”, “Su” e o “nunices”. Responsável por sermos heróis: Jorge Shinobi. Local combinado para celebrar: Madeira.

A primeira reunião teve lugar no Café do Museu, onde nos fomos conhecendo à medida que chegávamos. Conhecendo e bebendo umas imperiais... a blueminerva levou a água de casa, mas depois lá entrou no espírito da coisa e pediu o seu primeiro Compal de pêssego da noite. Foi aqui que comecei a conhecer aqueles que hoje considero amigos.

O Jorge era aquele que eu já melhor “conhecia”, ainda que virtualmente, pois já tinha visto a foto. É um rapaz sensacional, de uma elevada educação, culto, responsável, divertido e que para beber só cerveja, vinho tinto e Jameson...Tenho orgulho em dizer que hoje o considero amigo real.

A Su, é a personificação da alegria e da simpatia, tem um rir contagiante. A foto da mão com o anel (a foto que a identifica no seu blogg Marakoka) fez com que eu não me enganasse muito a respeito da sua personalidade...ou foi a telepatia que usámos para o concurso que fez com que não me tivesse surpreendido muito. Esperava uma pessoa muito parecida com a que encontrei. Felizmente acertei. Uma mulher bonita com classe que não admite maus humores perto dela...aliás, penso que perto da Su ninguém consegue estar de mau humor. Simplesmente fantástica.

A blueminerva é exactamente como a foto do blogg, se excluirmos as botas e a mini-saia... porque foi de calças. Foi em quem mais falhei na idealização que fiz de cada um dos participantes. Habituamo-nos a lê-la no blogg e criamos uma imagem que em muitos casos não correspondeu ao que conheci. É verdade que quando chegou ainda lhe saíram umas “caralhadas”, mas foram só duas ou três. É uma miúda muito bonita e elegante que tem a irreverência da idade, mas que é também sensível, alegre, divertida. Um mimo autêntico. É a pessoa que mais Compal bebe na Madeira. Penso que o importador de Compal para a Madeira fica a saber quando a blueminerva sai da sua terra....as vendas baixam.

O jantar foi divertidíssimo, com trocas de prémios, cada um contava algum episódio vivido, fomo-nos conhecendo aos pouco ao som da música e tomando whisky (eu e a Su) Jameson e Compal.

Fomos ao Café do teatro onde “conheci” a magnífica prima da Inês, sob a forma de poster, e conhecemos, como uma das fotos pode documentar, o grande amigo do Jorge, o Sr. Bombeiro. Claro que houve mais whisky, Jameson e Compal.

A noite acabou no local favorito do Jorge: O “Jam”. Eu acho que é pelo nome que o Jorge tanto gosta deste local, afinal tem quase o mesmo “sabor” que o Jameson de que ele tanto gosta. Estava eu e a Su de copo na mão ( o Jorge e a Nádia na zona de fumadores), quando chega uma rapariga, olha para a Su, olha para mim, e ao som da música começa a dar-me socos no peito...e eu deixei. Passou-se 1 minuto em que deixei que a rapariga me agredisse até que ela se foi embora, e então eu comentei com a Su: Tens umas amigas um pouco violentas. Ao que ela me respondeu: Amiga!?...não a conheço de parte nenhuma, julguei que fosse tua amiga. Conclusão: fui “agredido” por uma tipa que já tinha bebido tanto álcool como a Nádia tinha bebido Compal, e não sei quem era.
Ali acabámos a nossa primeira reunião da Aliança, ao som da música dos anos 80, de copo na mão, um pezinho de dança...e aí constatei a verdade do meu “amigo” : o melhor movimento feminino é o bambolear das ancas de uma mulher.

Para verem as fotos vão aqui:
http://shinobi-myasianmovies.blogspot.com/

Obrigado e até sempre Amigos ...Jorge, Nádia e Susana

terça-feira, 1 de abril de 2008

Touro Enraivecido

Quando vivia com os meus tios, e estes ainda não tinham filhos, no momento em que meu tio saía para o trabalho ( ele era comerciante) o único “homem” da casa era eu. Tinha uns 5 anos, e ficava em casa com minha avó, minha tia e as duas empregadas. Não tinha ninguém com que brincar e elas não estavam muito interessadas em brincar comigo. Num desses dias devo ter “azucrinado” tanto a cabeça a uma delas que me deu um novo “brinquedo”: um bocado de pano, linhas, uma agulha, uns 3 ou 4 dedais, não fosse o “menino” picar-se e explicou-me que podia desenhar com as diferentes cores de linhas no pano branco. E assim comecei, aquilo que poderia ter sido uma carreira de sucesso no mundo da alta-costura. Naquele dia meu tio esqueceu-se de qualquer coisa e teve de ir a casa (coisa rara) a meio da manhã. Quando entra no quintal, vê-me sentado, todo entretido e chega-se ao pé de mim e já com cara de poucos amigos me pergunta: Que é que estás a fazer?...eu não sabia se tinha dado algum ataque de parvoíce ao homem, mas olhei para ele, olhei para o que tinha nas mãos e respondi: Não vê que estou a bordar!? O “brinquedo” foi-me imediatamente confiscado e foram convocadas todas as mulheres da casa. Aviso: situações daquelas jamais se voltariam a repetir, fosse com agulhas, fosse com qualquer tarefa menos máscula. Desde aquele dia nunca mais peguei numa agulha.

Minha tia era uma fanática ( e ainda hoje gosta muito) do Carnaval.
Era nossa vizinha a Srª. Francisquinha que tinha como empregado doméstico o Sr. José ...Cabeça de Bidé. É obvio que a parte Cabeça de Bidé era uma alcunha pelo formato que tinha a cabeça do Sr. Eu sempre pensei que antes de existir o Sr. José, não existiam bidés, porque tinha sido através da cabeça dele que tinha saído o molde para ser construído o primeiro bidé da história. O Sr. José tinha outra característica particular, era paneleiro (naquele tempo ainda não existiam o termo gay) e também gostava muito do Carnaval. Disfarçava-se sempre com o mesmo disfarce: Carmen Miranda., por isso, nos meios artísticos também era conhecido como Carmen Miranda. Quando eu tinha 5 anos, nesse Carnaval, minha tia decide mascarar-me. E eu não gostei nada da ideia, mas lá teve que ser....convenceram-me que ia de índio, minha tia lá confeccionou o fato...que era mais um vestido de cabedal, peruca com tranças pretas, cara pintada, colares de bugigangas... e fiquei eu convencido que era um autentico Touro Enraivecido em miniatura. A quem é que minha tia pede ajuda para me levar ao concurso no Ateneu do Funchal? Ao Sr. José Cabeça de Bidé. Lá fomos para o Ateneu, inscreveram-me no concurso... e azar dos azares ganhei o 1º prémio. Aqui começa a meu martírio. Quando anunciam o meu nome, quem me leva ao colo para o palco?...o José Cabeça de Bidé. O que diz o cabrão do apresentador? ...”e o primeiro prémio vai para esta magnifica e linda indiazinha”..... Estive a ponto de desmaiar...já estava no colo de um tipo conhecido por Carmen Miranda, tinha acabado de ser chamado de linda indiazinha.....e temi que o apresentador continuasse..... “que ainda na semana passada bordava candidamente sentada no jardim de sua casa”. Entrei no Ateneu como Touro Enraivecido...e saí como Raio de Luar. Nesse mesmo dia jurei que nunca mais na vida gostaria do Carnaval.

A minha única distracção desse Carnaval foi ver o Sr. José Cabeça de Bidé transformar-se em Carmen Miranda, com minha tia a ajudá-lo a colocar os mais de 30 kilos de fruta que uma cabeça daquelas tinha que levar para ficar compostinha, e ele depois a sair para o baile que se realizava na sede dos Estudantes Pobres bamboleando-se e cantarolando....”O que é que a baiana tem?”

segunda-feira, 31 de março de 2008

A Verdade das crianças...

Ainda me lembro da minha primeira “verdade de criança” que me custou um castigo e, pior que isso, ter que dar o dito pelo não dito. Teria os meus 4 ou 5 anos, vivia com os meus tios e eles tinham uma vida social muita activa. Havia festas lá em casa e íamos a muitas festas em casa de amigos, era no tempo em que não havia Televisão (acho que na Madeira só chegou em 71, ou 72 ). Nesse grupo de amigos dos meus tios, havia uma senhora com que eu embirrava solenemente, e numa dessas festas, quando a dita senhora chegou, eu recusei-me a beijá-la. “Porque é que não dás um beijo à Dona Fulana”, perguntava minha tia já com cara de “generala”...e eu nada. Começou minha tia a insistir, meu tio meteu-se ao barulho...toda a gente se calou para apreciar melhor a birra do puto (eu) ..e foi quando todos se calaram que falei eu. “Não lhe beijo porque ela é feia”. O que eu fui dizer!!!!. Já não me lembro bem se era feia ou não, eu embirrava com ela porque ela vinha sempre cheia de uma maquilhagem excessiva, principalmente a cara tinha demasiado creme, e cada vez que a beijava parecia que tinha acabado de beijar uma lata de banha de porco, ficava lambuzado, aquilo enojava-me, e ela quando retribuía ficava eu com um desenho perfeito de uns lábios numa das minhas bochechas. Como não sabia explicar tudo isso...saiu-me o tal “Porque ela é feia”. Tentei simplificar e lixei-me. Entrou logo a disciplina militar em acção. Pede já desculpa à Dona Fulana, e eu a muito contra gosto, lá pedi desculpa àquela lata de banha ambulante. Depois ...bem, depois tinha que vir a humilhação: “Diz à Dona Fulana que ela é bonita”...e custou-me muito, mesmo com 4 anos, ter que dar o dito pelo não dito...ou seja, ter que mentir. Mas menti, e disse à Dona Fulana que ela era bonita.

Este episódio fez-me lembrar mais uma história do tal “amigo” italiano ( eu chamo sempre “amigo” a quem cito). Perante o Dr. Juiz uma Senhora apresenta queixa de um homem pelo facto de ele lhe ter chamado “camela”. O Dr. Juiz, dá um sermão ao homem dizendo que ele efectivamente não pode, pela lei, chamar camela à senhora, que é proibido e que tem que o multar. Então, o homem pergunta ao Dr. Juiz se chamar Senhora a uma camela é proibido por lei. O Dr. Juiz diz-lhe que não. Nesse momento, o homem volta-se para a queixosa, e inclinando-se ligeiramente chama-lhe “Senhora”.

Como eu gostaria de ter conhecimento desta história há 44 anos atrás.... Ter-me-ia voltado para a Dona Fulana e ter-lhe-ia chamado: Bonita

sábado, 22 de março de 2008

Amigos e Dicas

Primeiro vou-vos contar uma história, que o tal meu amigo que era jornalista e escritor escreveu, e que tem a ver com a importância de certos amigos. Provavelmente já toda a gente a conhece, mas mesmo assim contarei.
Numa pequena rua de Roma, onde existiam apenas restaurantes, o primeiro restaurante dessa rua, e para publicitar a sua casa, colocou um cartaz onde dizia “ O melhor Restaurante de Roma”. Claro que o segundo restaurante não fez a coisa por menos e colocou um cartaz dizendo “O melhor Restaurante de Itália”. O terceiro, já com a mania das grandezas, e porque não queria ser ultrapassado colocou no seu cartaz “O melhor Restaurante da Europa”. Obviamente que o quarto restaurante se mandou para fora de pé, e megalomanamente colocou num cartaz “O melhor Restaurante do Mundo”. Tudo estaria bem se não houvesse um quinto restaurante que ficava no fim da rua, e que por via de toda esta publicidade, começou a perder clientela. Mas o dono tinha um amigo, que trabalhava numa coisa que se chamava Marketing e Publicidade, e decidiu pedir-lhe ajuda. Chamou-o explicou-lhe o problema, disse-lhe que tinha pensado colocar um cartaz que diria que o seu restaurante era o melhor restaurante do Universo, mas que achava a ideia um pouco idiota e que por isso estava desesperado, provavelmente teria que fechar o estabelecimento porque não sabia o que fazer. O amigo publicitário acalmou-o e disse que o problema era de fácil solução. Bastaria colocar um cartaz com o seguinte “ Este é o melhor Restaurante desta Rua”.

Por volta dos meus 17 anos, tinha um amigo cujo pai era fotógrafo, desses que também fazem casamentos e baptizados e que nos dava as tais “dicas” importantes. Dizia-nos (eramos 3 ) esse nosso amigo: amanhã há um casamento com 170 pessoas (tinha que ter mais que 120) na igreja de S.Pedro e o copo de água no Jardim do Sol (já não me lembro dos nomes dos restaurantes e dos hoteis). Nós os três vestíamos os nossos únicos fatos colocavamos gravata e lá íamos para a igreja. Tínhamos que ir à igreja para ouvirmos os nomes dos noivos quando o padre dizia, e eles repetiam os votos de amor eterno: Eu, João Paulo aceito..... e eu Ana Cristina blá blá. O trabalho da igreja estava feito. Depois íamos no carro do pai do Ivo (que já tinha carta) seguindo o cortejo, buzinando, até ao local do comes e bebes que era o nosso objectivo principal....comer e beber à borla. Misturávamo-nos com o pessoal, a uns diziamos que eramos amigos do noivo ( ou seja do João Paulo) a outros que eramos primos da Ana Cristina ( a noiva não podia ter amigos)...e no final até dançámos com as verdadeiras amigas do noivo e primas da noiva. Foi um casamento espectacular. Ouve segunda dica, e lá fizemos tudo como sempre...igreja, cortejo e chegámos ao sítio do comes e bebes. Já estávamos alegres quando fomos confrontados com o noiva e a noiva em simultâneo...e claro fomos desmascarados como penetras. O noivo, como não queria problemas no dia mais feliz da sua vida, foi buscar uma garrafa de whisky “Vat 69” e disse-nos para irmos celebrar para outro sítio. Ainda lhe dissemos: um bom Vat 69 pra vcs também...logo à noite, e viemos embora. Não comemos nem dançámos...mas apanhámos uma grande bezana. A terceira e última vez...tudo igual, dica, igreja cortejo...só que foram tirar fotos para o Jardim do Museu das Cruzes e aquilo nunca mais acabava. Nós queríamos era beber e comer. Lembro-me que a festa era num hotel, já não sei qual. Entrámos havia uns empregados a servir umas bebidas foleiras, tipo espumante e sumo de laranja...e quando demos por nós estão a chamar para o jantar. Ao entrarmos para a sala, um senhor de laço pergunta-nos o nome para nos indicar a mesa. Era jantar com lugares marcados. A mesa? Perguntámos nós. Então o João Paulo (?) não lhe disse que nós não vínhamos jantar, só cá viemos dar-lhe um abraço e desejar-lhe felicidades, é que ainda temos outro casamento, temos que ir. E fomos, para a Concha comer um picadinho e beber uma imperial.

Outro amigo e outra dica era-nos dada por um rapaz que trabalhava na recepção de um hotel: hoje chega um grupo 6 suecas. Eu com 17 anos e o Toni com 24 lá nos vestíamos à pipi e íamos para a recepção do dito hotel esperar pelas suecas para servir-lhes de “guias e intérpretes”. Confesso que só fui uma vez. O Toni como era veterano, e nisto a antiguidade é um posto...escolhia primeiro. Escolheu e calhou-me a amiga que era sempre menos bonita. A dele era efectivamente sueca, a minha era checoslovaca que vivia na Suécia. Fomos jantar, discoteca...e claro, fomos para o hotel. Era a minha primeira internacionalização. Resumindo....fui completamente trucidado por aquele vulcão de 25 anos vindo do frio. Em linguagem futebolística podia dizer que já perdia por 5 – 0 ao intervalo. Rapidamente verifiquei que aquela checoslovaca tinha muito mais de vaca que de checa.
Estes são alguns exemplos da verdadeira utilidade dos amigos: dar dicas. Há quem diga que os amigos verdadeiros são aqueles que nas subscrições assinam em primeiro lugar para oferecer uma coroa de flores. Eu prefiro os outros os que me dão dicas em vez de coroas de flores